A Vida do Avesso: Porque a vida está de trás pra frente

Quando somos jovens temos nada e queremos tudo;
Ao envelhecemos temos tudo é não queremos nada.
Esse é o grande dilema na vida, no que diz questão a ter “tudo” (ou o que considera como “tudo”) e também o que é de fato importante.

Quem tudo quer nada tem

Quando ficamos velhos (e todos ficarão um dia), não temos nada, ou, ao menos, nada que possa ser usado efetivamente da forma como era antes, como carros, apartamentos, roupas de marca, aparelhos eletrônicos do ano… Isso não faz diferença. Tudo o que resta é a vida em si, a família, as pessoas próximas (ou não tão próximas assim), o tempo que passa (que passa então a ser eterno), os momentos vividos e o carinho de quem importa. É isso que sobra no grande final dos finales. Ou pelo menos assim que era pra ser.

Imagine mentalmente a seguinte representação, o velhinho vai na loja de eletrônicos:
– Boa tarde, gostaria de consertar meu celular, acho que está com problema.
O atendente pega então o celular, verifica o aparelho, faz alguns testes e diz:
– Senhor, não há nada de errado com seu celular, está funcionando perfeitamente!
– Certeza? Ah, obrigado então, é que faz alguns meses que ele não toca…





Passamos a vida toda tentando conquistar as coisas, pra depois perceber que nunca foram nossas. A não ser as que já tínhamos desde o início.
Há uma grande conspiração no que se diz ao tripé de qualquer vida de qualquer ser humano e como ela se comporta no tempo. É a tríplice das escolhas e dos recursos disponíveis, o que torna qualquer decisão e movimento baseado nestes. É um tripé/tríplice poque se baseia em três fundamentos:

  1. Quando você é criança, possui tempo e energia, mas não possui dinheiro;
  2. Quando é adulto, possui dinheiro e energia, porém não possui o tempo;
  3. Ao ficar velho, possui tempo e dinheiro, mas falta-lhe energia.

triplice_vida_minimalisto

 

Sério ótimo se pudéssemos aprender o que é fundamental para a vida a tempo, e não levar 70, 80 ou 90 anos pra entender o que é essencial e valorizar o que realmente deve ser. Seria tão bom se pudéssemos reverter os papéis. Seria tão bom ver a vida de trás pra frente, e entender a vida do avesso:

Em um cenário utópico deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso. Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então trabalhar 50 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí curtir tudo, beber bastante álcool, fazer festas e se preparar para a faculdade. Então ir para colégio, ter várias namoradas, virar criança, não ter nenhuma responsabilidade, se tornar um bebezinho de colo, voltar pro útero da mãe, passar os últimos nove meses de vida flutuando. E terminar tudo com um ótimo orgasmo!

Isso sim seria a pura definição de viver de trás pra frente: A Vida do Avesso…

 

© MINIMALISTO: Minimalismo, por um minimalista.

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