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A cultura do presente

Aniversário. Vou comprar um presente.

Natal. Preciso dar um presente.

Dia das crianças. Sei de um ótimo um presente!

Dia dos namorados. Ela(e) quer ganhar presente!!

Casamento. Melhor dar um presente!!!

Visitar um parente. Vou levar um presente. (Até rimou).

Ganhei um presente! Preciso dar outro presente…

Estamos condicionados, através do consumismo, que a única melhor forma de agradar alguém é dando a essa pessoa, bens. Itens, objetos que, de alguma forma, têm a obrigação de demonstrar o tamanho do carinho que demonstra, como se importa e o quanto a quer bem. Isso sem entrar em méritos de preço. “Quanto mais caro melhor”. Até porque, pra presente, se retira a etiqueta, certo?

Gostaria de saber em qual parte que receber algo… que você não espera, sequer sabe o que é, de alguém que você considera (até porque essa pessoa gosta de você em primeira instância, então, no mínimo, ambos se conhecem), que utilizou de sua força de trabalho e, principalmente, do seu tempo (que é inclusive mais caro) para poder lhe comprar alguma coisa… pode proporcionar uma experiência única e exclusivamente positiva?

 




 

Por que vai ser permitir o vício do acúmulo? Muitas vezes você nem gostou do que ganhou, mas, não pode rejeitar, afinal, presente não se pode negar, não é mesmo? Não se pode jogar fora, não se pode dar… Imagine só se eu lhe der, sei lá… Um bicho morto!. Legal não? O que foi? Não gostou? É um presente! Você não pode desmerecer o meu carinho! Pode não ser significativo para você, mas possui uma enorme importância pra mim! (Não é assim que os felinos fazem?). Então.

Ainda que goste do que tenha ganho, mas, e se não precisar daquilo? E se você não achar beleza em bens materiais? Se reconhecer que aquilo não vai te agregar em nada, e sim, o esforço dispendidos nessa tarefa, no trabalho, na escolha, na compra? Isso não invalida o carinho que você sente pela pessoa que te presenteou, muito menos o carinho da própria… Muito pelo contrário! É por saber, de fato, de todas essas circunstâncias, que você deseja que esse alguém tivesse aproveitado os recursos (quaisquer que sejam) da melhor forma possível! Como por exemplo, estando juntos!

Eletrônicos? Estragam. Ficam obsoletos.

Roupas? Rasgam… Sujam… E quem tem que lavar é você (Teoricamente, mas enfim…)

Flores? Morrem.

Você também.

E eu.

A coisa mais valiosa que você pode dar a alguém é o seu tempo

Por que ao invés de comprar algo novo, não doa alguma coisa que já tem? (Inclusive pode gerar um carinho afetivo maior ainda).

Por que, ainda que o desejo de presentar seja maior que tudo o que foi acima exposto, não pergunta se a pessoa quer de fato ganhar alguma coisa, ou pelo menos então perguntar o que?

Isso nada mais é do que um ciclo vicioso infindável.

 

Não dê presente. Esteja presente.

Viva o presente.

O presente.

 

© MINIMALISTO: Minimalismo, por um minimalista.

 

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